O Brasil é hoje o segundo maior usuário do ChatGPT no mundo, com 140 milhões de interações por dia, segundo a Forbes Brasil (2025). E 93% dos brasileiros conectados já usaram alguma ferramenta de IA generativa. Isso já mudou a forma como as pessoas pesquisam, e o comprador B2B está nessa conta.
Aparecer nessas respostas tem nome: GEO, ou Generative Engine Optimization. É fazer a sua empresa ser um dos nomes que a IA cita quando perguntam por um bom fornecedor no seu ramo.
Nesse texto eu falo sobre a importância de ter uma estratégia multicanal pra gerar demanda no B2B, o que é GEO e por que ele entrou pro mix de canais, como a IA escolhe quem recomendar e o que dá pra fazer pra começar. Com exemplo real de cliente nosso e prints das buscas.
O que é GEO e como ele afeta a escolha de fornecedor B2B
GEO é a sigla pra Generative Engine Optimization. Em português: otimização pra motores generativos de busca. É o conjunto de práticas que faz uma empresa aparecer nas respostas que IAs como ChatGPT, Perplexity, Gemini e o Google AI Overview entregam.
A diferença pro SEO tradicional é simples. No Google, a empresa compete por uma posição numa lista de links. No GEO, a empresa compete pra fazer parte da resposta que a IA escreve.
Marcella Merigo, diretora de SEO da NP Digital Brasil, resume no estudo "A Nova Era da Busca", da NP Digital:
Não estamos substituindo o Google, estamos ampliando o ecossistema da busca.
E onde isso entra quando um decisor pode buscar seu produto ou solução?
O mix de canais que o decisor B2B usa pra encontrar fornecedor hoje já vai bem além do Google. Segundo a NP Digital (2025), 95% dos líderes confirmam que a jornada do comprador deixou de ser linear. Hoje ela passa por LinkedIn, Instagram, Facebook, e-mail, indicação, evento, feira, ChatGPT e Perplexity. A IA generativa entrou como mais um canal nessa lista. E quando ela cita uma empresa como resposta, essa empresa passa a fazer parte da pesquisa dele.
Por que o decisor B2B usa 8 canais antes de pedir cotação
Porque comprar pra empresa é decisão de risco, e ninguém arrisca com base em uma fonte só. Antes de pedir cotação, o comprador pesquisa, compara e confere em vários lugares.
O número ajuda a enxergar isso. Segundo a Forrester (2026), o comprador B2B consome em média 13 conteúdos antes de fechar uma compra. É muita pesquisa antes da cotação. E hoje esse conteúdo está espalhado em mais lugares do que só o seu site e o Google.
Na prática, esses canais podem ser:
- Google: a busca por palavra-chave técnica, ainda o ponto de partida de muita pesquisa.
- LinkedIn: onde ele confere a empresa, o porte, quem trabalha lá.
- Instagram e Facebook: onde vê o conteúdo, o feed, se a empresa tá viva.
- YouTube: demonstração de produto, aplicação, case.
- E-mail: material que ele recebeu e guardou.
- Indicação: a conversa com um colega de setor.
- Evento e feira: o contato presencial.
- IA generativa: ChatGPT, Perplexity e Gemini.
Ninguém usa os 8 ao mesmo tempo. Cada comprador monta o caminho dele. Mas a IA generativa já aparece nesse caminho, e é o canal mais novo da lista.
A NP Digital (2025) reforça o tamanho dessa mudança: 45% dos líderes entrevistados disseram que redes sociais já viraram motor de busca das empresas deles. A pesquisa deixou de morar só no Google faz pouco tempo. E ela continua se espalhando.
Comprador B2B no ChatGPT, Perplexity e Gemini: o que ele pergunta e quem aparece
Isso já está acontecendo, e não é teoria. O comprador B2B abre o ChatGPT e digita "qual o melhor fornecedor de X no Brasil". A IA responde com nomes. Se a sua empresa está entre os nomes que a IA cita, você entra na disputa. Se não está, quem aparece é o concorrente.
Os números mostram o tamanho do movimento:
- O Google AI Overview (aquela resposta que aparece no topo, antes dos links) já aparece em 15,5% das buscas no Brasil, segundo o SE Ranking.
- 54% dos brasileiros usaram IA generativa em 2025, segundo o State of Search Brasil.
- O Perplexity cresceu 858% em volume de buscas no último ano.
- O ChatGPT passou de 180 milhões de usuários ativos por mês.
Pra você ver na prática, eu fiz a mesma pergunta em três motores diferentes. Olha o que cada um respondeu:



Repara em duas coisas. Primeira: nenhum dos três entrega uma lista de 10 links pra você escolher, os três já escolheram por você e citaram poucos nomes. Segunda: a Health Safety, cliente nossa, aparece nos três, e no ChatGPT em primeiro lugar. Isso é o resultado do trabalho de aparecer nas IAs, que é o assunto desse post.
Basicamente o que acontece é: se a sua empresa é um desses nomes, o comprador vai falar com você. Se não é, ele vai falar com quem a IA citou.
E aparecer na resposta da IA pesa de verdade. Uma pesquisa da Sinch (2026) mostrou que 56,6% dos brasileiros confiam igualmente numa recomendação feita por IA e numa recomendação feita por uma pessoa real, índice acima da média global de 46%. Ou seja: quando a IA cita o seu nome, pro comprador é quase como se um conhecido tivesse indicado.
Os 3 fatores que decidem se a sua empresa aparece nas respostas de IA
A IA não sorteia nomes. Quando ela monta uma resposta, ela escolhe quem citar com base em sinais que dá pra entender. São três, e eu explico cada um abaixo.
1. A IA precisa entender com clareza quem você é e o que você faz. Se o nome da sua empresa é confuso, se o seu site não deixa claro o seu ramo, se a informação sobre você está espalhada e desencontrada pela internet, a IA fica em dúvida sobre quem você é. E ela não cita quem ela não entende. Um estudo da DigitalApplied (2026) mostrou que conteúdo que deixa claro as conexões da empresa (quem é, o que faz, com o que se relaciona) tem 4,8 vezes mais chance de ser citado.
2. A IA precisa ver você como referência, e não só no seu próprio site. Aqui mora o erro mais comum. Não adianta ter uma página falando bem de você se ninguém mais fala. A IA confia em quem é citado em vários lugares de peso: imprensa, sites do setor, publicações técnicas. Tanto que 96% do conteúdo que aparece no Google AI Overview vem de fontes verificadas e com autoridade. Empresa que só aparece no próprio site, e em alguns blogs fracos, não entra na resposta.
3. A IA precisa ver que você traz algo que os outros não trazem. Esse é o que quase ninguém faz. Se o seu conteúdo é igual ao de todo mundo, a IA não tem motivo pra citar você em vez do concorrente. Agora, se você traz dado próprio, caso real, número que só você tem, aí você vira fonte. Conteúdo genérico a IA já tem de sobra. O que ela procura é quem agrega algo novo.
E tem pesquisa que mostra o que mais funciona na prática. Um estudo das universidades de Princeton e Georgia Tech (2023) mediu o que mais aumenta a chance de uma empresa ser citada por IA:
- Citar fontes confiáveis: +40%
- Incluir estatística com número: +37%
- Trazer citação de especialista: +30%
Os três têm a mesma raiz: mostrar que a informação é confiável e verificável. É exatamente o que a IA procura na hora de escolher quem citar.
Estratégia básica de GEO: 5 ações pra começar em 30 dias
Não precisa virar especialista em SEO pra começar. Dá pra dar os primeiros passos com o que você já tem. Aqui estão 5 ações pra colocar em prática no próximo mês. O resultado não vem em 30 dias (GEO é trabalho de fundo, rende em alguns meses), mas o trabalho começa agora.
1. Garanta que a IA consegue ler o seu site. Parece óbvio, mas é o erro mais comum. Muito site bloqueia, sem querer, os robôs das IAs (os programas que o ChatGPT, o Perplexity e o Google usam pra ler a internet). Geralmente é uma configuração copiada de outro projeto que ninguém reviu. Peça pro seu time ou pra sua agência conferir se o seu site está aberto pra esses robôs. Se estiver bloqueado, você está invisível pra IA, por mais bonito que seja o site.
2. Deixe claro quem você é e o que você faz. Padronize o nome da empresa, a descrição e o ramo em todos os lugares: site, LinkedIn, Instagram, Facebook, Google Meu Negócio, e-mail. Informação desencontrada confunde a IA. Quanto mais consistente a sua empresa aparece pela internet, mais fácil pra IA entender quem você é e citar com segurança.
3. Tenha presença estruturada sobre o seu tema. Site claro, redes ativas, blog respondendo as perguntas reais do seu cliente. Cobrir bem o assunto que o comprador pesquisa vale mais do que só falar do seu produto. E mantenha tudo atualizado: um estudo da Seer Interactive mostrou que 85% das citações em IA vêm de conteúdo publicado nos últimos 2 anos.
4. Traga o que só você tem. Dado próprio, caso real de cliente, número da sua operação, experiência de quem faz. É isso que faz a IA escolher você em vez do concorrente que só repete o óbvio. Conteúdo genérico a IA já tem de sobra.
5. Apareça além do seu próprio site. A IA confia em quem é citado em vários lugares de peso. Busque aparecer em imprensa do setor, sites de associação (como os da indústria), parcerias, entrevistas. Menção da sua empresa em fonte confiável, mesmo sem link, ajuda a IA a confiar em você.
Bônus: 5 hacks rápidos pra IA te citar
Ajustes técnicos simples, cada um com dado por trás:
- Responda na primeira frase. Abra o conteúdo com a resposta direta, não com enrolação. A IA extrai melhor quem vai direto ao ponto.
- Palavra-chave na URL. Use
/preco-bafometro-automatizado-empresa/, não/blog/post-12345/. Ajuda a IA a entender a página. - Títulos em forma de pergunta. "Quanto custa um bafômetro automatizado?" funciona melhor que "Investimento". A IA casa a pergunta do cliente com o seu título.
- Número com fonte em tudo. O estudo de Princeton (2023) mostrou que isso aumenta em até 40% a chance de ser citado.
- Tabela pra comparar. A IA extrai tabela muito mais fácil que texto corrido, e comparação é uma das coisas que mais perguntam pra ela.
Como medir GEO na prática: auditoria, ferramenta e o caso da Sukha
Aqui a régua muda. Em SEO tradicional você olha tráfego e posição no Google. Em GEO, o que importa é se a sua empresa está sendo citada nas respostas, e em quais perguntas. Tanto que, já em 2025, 27% das buscas terminaram sem ninguém clicar em nada (a pessoa achou a resposta na própria tela). Medir só clique virou medir o lugar errado.
A auditoria que qualquer um faz hoje
Pega o ChatGPT, o Perplexity e o Gemini e faça a pergunta que o seu cliente faria. Algo como "qual o melhor fornecedor de X no Brasil". Aí olha duas coisas: a sua empresa aparece? E quais sites a IA citou como fonte?
Essa lista de fontes que a IA mostra é o mapa. É exatamente onde a sua empresa precisa estar pra ser citada. Faça isso uma vez e você já sai sabendo onde está e onde precisa chegar.
O bastidor: como a gente faz isso na Leão
A auditoria manual é boa pra começar, mas fazer uma vez não basta. As respostas da IA mudam toda semana. Por isso, aqui na Leão a gente construiu uma ferramenta interna que monitora, semana a semana, em quais perguntas os nossos clientes são citados no ChatGPT, no Perplexity e no Gemini.
O pulo do gato não é só ver onde a gente aparece. É ver onde não aparece. Quando o cliente não é citado numa pergunta importante do setor dele, isso vira pauta: o marketing produz conteúdo focado naquele assunto pra preencher a lacuna.

Um exemplo real: a Sukha, cliente nosso, aparece na resposta do Perplexity pra pergunta "máquinas de solda automatizada". O site dela é citado três vezes como fonte, e a Sukha ainda entra na lista de fornecedores recomendados. Isso veio de mapear a pergunta certa, ter o site estruturado e redes ativas sobre o assunto, e acompanhar semana a semana.
Perguntas frequentes sobre GEO
GEO substitui o SEO?
Não. GEO é uma camada a mais, não um substituto. O próprio Google confirmou, no guia oficial de 2026, que as respostas de IA dele usam o mesmo sistema de ranqueamento da busca tradicional. Sem um SEO bem feito (site indexado, conteúdo bom), não existe GEO. Um sustenta o outro.
Quanto tempo leva pra minha empresa ser recomendada pela IA?
Não é questão de uma semana. Costuma levar alguns meses até a empresa começar a aparecer com consistência nas respostas. Depende de duas coisas: o quanto a sua presença já está clara hoje e o quanto a sua empresa aparece de forma consistente sobre o tema (site estruturado, redes ativas, blog, menções em outros lugares).
Preciso parar de investir em Google Ads se a IA está crescendo?
Não. A IA é mais um canal, não a troca dos outros. O Google Ads continua trazendo lead de quem busca com intenção de comprar. O GEO trabalha outra frente: aparecer quando a IA recomenda. Os dois convivem no mesmo mix de canais.
Vale a pena começar GEO agora ou dá pra esperar?
Dá pra começar com o básico hoje, sem grande investimento. As 5 ações que mostrei nesse post você já consegue colocar pra rodar esse mês. Como o resultado leva alguns meses pra aparecer, começar mais cedo é melhor do que deixar pra depois.
Você leu o caminho todo: o que é GEO, por que a IA virou mais um canal no mix, como ela escolhe quem citar e o que dá pra fazer pra começar.
E GEO é só um dos canais. A geração de demanda B2B mudou: hoje passa por Google, LinkedIn, Instagram, Facebook, e-mail e a IA generativa, todos ao mesmo tempo. Criar estratégia que conecta esses canais pra gerar demanda qualificada pro seu comercial é o que a gente faz aqui na Leão.
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