**Resumo:** O vendedor da AG Antecipa gastava 2 horas por dia repassando leads sem fit para uma ferramenta parceira, acompanhando a resposta e atualizando dois sistemas na mão. A Leão mapeou o processo e automatizou o fluxo inteiro. Nenhuma inteligência artificial foi usada.
O vendedor da AG Antecipa abria a ferramenta parceira várias vezes por dia só pra ver se os leads que ele tinha cadastrado de manhã já tinham sido aprovados. Quando um era, ele voltava no HubSpot, atualizava o card e mandava a mensagem no WhatsApp. No dia seguinte, tudo de novo.
Vou contar como essa rotina foi parar numa automação, e por que esse tipo de trabalho quase sempre se resolve sem IA nenhuma.
O que o vendedor da AG fazia todo dia?
A AG Antecipa trabalha com antecipação de recebíveis, e as campanhas que a gente roda pra eles geram lead direto no HubSpot. Só que nem todo lead que chega tem o perfil que a AG atende.
Quando isso acontecia, a AG indicava o contato pra uma ferramenta parceira, e ganha por essa indicação.
O trabalho estava em como essa indicação acontecia:
- O vendedor via no HubSpot que o lead não tinha fit.
- Abria a ferramenta parceira e cadastrava o lead na mão.
- Ficava acompanhando pra saber se foi aprovado ou recusado.
- Voltava no HubSpot pra registrar o resultado. Quando era aprovado, ainda mandava uma mensagem no WhatsApp pro lead com o link.
Quatro passos, pra cada lead, todo dia.
Por que esse tipo de tarefa passa despercebida?
Porque cada passo, olhado sozinho, parece pequeno. Cadastrar um lead leva dois minutos. Mandar uma mensagem no WhatsApp leva um. Ninguém olha pra isso e enxerga um problema.
O peso está em outro lugar: o vendedor precisava lembrar dessa tarefa o dia inteiro. Cadastrava de manhã e tinha que voltar depois pra ver se aprovou. Aprovando, tinha que abrir o HubSpot de novo. Depois ainda tinha o WhatsApp. A tarefa nunca terminava de uma vez só.
É isso que come o dia de um comercial. A 7ª edição do State of Sales da Salesforce, com 4.050 profissionais de vendas em 22 países, mostrou que 60% do tempo de um vendedor vai pra atividades que não são vender.
Na sua empresa os nomes mudam. É o vendedor que copia dado do CRM pra uma planilha, ou o que precisa conferir no financeiro se o pedido saiu. A mecânica é a mesma: alguém carregando no braço a conversa entre dois sistemas.
Por que mapear vem antes de escolher a ferramenta?
Quando a gente desenhou o processo inteiro da AG, apareceu uma coisa simples. O vendedor era o único ponto de ligação entre dois sistemas que nunca conversaram. Ele era a integração.
Sem esse desenho na mão, a tendência é automatizar o que está na frente. Você acelera o caminho errado, e o time continua fazendo trabalho desnecessário, só que mais rápido.
O BCG olhou os projetos de IA que passaram pela mão deles e chegou num número: 70% do que faz a implementação dar certo está em pessoas e processos. Com automação a lógica é a mesma. O que a gente construiu pra AG foi a parte pequena do trabalho. É o mesmo raciocínio que eu descrevi nos 5 passos pra aplicar IA na indústria.
Como a automação funciona hoje?
Hoje o vendedor faz uma coisa só: muda a etapa do funil no HubSpot. A parte dele acabou aí.
A partir dessa mudança, a automação assume:
- Escuta a mudança de etapa no HubSpot.
- Cria o lead na ferramenta parceira via API.
- Fica esperando a devolutiva.
- Quando a resposta chega, atualiza o card no HubSpot com aprovado ou recusado.
- Dispara a mensagem de WhatsApp pro lead nos casos aprovados.
Nada disso depende de alguém lembrar.
O Samuel, da AG, resumiu o ganho assim:
Pegando as automações todas, dá umas 2 horas por dia.
Duas horas que o vendedor agora usa pra vender.
Por que esse caso não precisou de IA?
Porque o trabalho todo segue regra fixa. Mudou a etapa, cria na ferramenta parceira. Voltou aprovado, atualiza e manda o WhatsApp. Voltou recusado, atualiza e para. Não tem interpretação no meio, não tem decisão que dependa de contexto.
IA entra bem quando o trabalho exige interpretar alguma coisa: ler uma conversa e entender o que a pessoa quer, classificar um texto que chega solto, escrever uma resposta que muda conforme o caso. Esse caso não tinha nada disso.
Vale olhar o tamanho da fila de quem tenta IA e não sai do lugar. A Deloitte ouviu 3.235 líderes em 24 países e descobriu que só 1 em cada 4 empresas conseguiu levar 40% ou mais dos seus testes de IA para produção.
Aqui na Leão a gente mapeia primeiro e escolhe a tecnologia depois. Às vezes a resposta é IA, e aí a conversa é outra, como no post sobre aparecer nas respostas do ChatGPT e do Perplexity. Nesse caso, foi automação.
Se quiser achar isso na sua operação, pergunta pro seu time qual tarefa eles fazem todo dia e que exige voltar em algum sistema só pra conferir se alguma coisa foi aprovada, respondida ou atualizada. Essa parte, a de voltar pra conferir, é onde o tempo some.
É isso que a gente faz aqui na Leão, com marketing e tecnologia na mesma casa.
Perguntas frequentes
Como sei se uma tarefa do meu time dá pra automatizar?
Olha se ela segue regra fixa. Se você consegue escrever o passo a passo com "se acontecer isso, faça aquilo", e ninguém precisa interpretar nada no meio, é caso de automação. Quando o passo depende de alguém ler, avaliar e decidir com base no contexto, aí você olha pra IA.
Automação e IA são a mesma coisa?
Não. Automação executa uma regra que você definiu, sempre igual. IA interpreta uma situação e responde conforme o caso. Muita coisa que hoje é vendida como IA é automação com nome bonito, e boa parte dos gargalos de um time comercial se resolve com automação mesmo.
Isso só funciona com HubSpot?
Não. O que a gente fez foi ligar dois sistemas que já existiam usando as APIs deles. O mesmo desenho funciona com outro CRM, desde que os sistemas envolvidos permitam essa conexão.
Fontes
Salesforce, State of Sales, 7ª edição. 4.050 profissionais de vendas em 22 países, campo em ago/set de 2025. Consultado em 15/08/2026.
BCG, Five Rules for Fixing AI in Business. Consultado em 15/08/2026.
Deloitte, State of AI in the Enterprise 2026: The Untapped Edge. 3.235 líderes, 24 países. Consultado em 15/08/2026.